Edna Maria

 

"À Flor da Pele."



Meu Diário
11/10/2025 12h20
11 de outubro ( Hoje)

 

Hoje acordei com o coração em silêncio, mas não em paz.
Há dias em que o corpo está inteiro e a alma anda manca — e eu sinto cada passo dela.
Tentei seguir o ritmo do mundo, mas o mundo estava rápido demais para o que eu sentia.

Pensei nele — não no homem em si, mas no que ficou depois:
a lembrança do toque, o rastro do riso, o eco da cumplicidade.
Um amor que foi casa e incêndio, refúgio e vertigem.

Não nego: sinto falta.
Mas já aprendi a conversar com a falta, a fazer dela visita e não morada.
Hoje, o que dói é também o que me ensina.

Há um gosto agridoce em envelhecer com lembranças que ainda estremecem o peito.
Mas sigo — com a cabeça erguida e o coração aberto,
porque ainda acredito que a vida, mesmo ferindo, também acaricia.

Hoje foi assim: um dia de revisitar ruínas,
mas saí de lá levando flores.


Publicado por Edna Santana Dinha Inocente em 11/10/2025 às 12h20


 
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