Edna Maria

 

"À Flor da Pele."



Textos

Madrugada Acesa
A casa dorme,
mas eu não.
A mente gira feito pião
no terreiro escuro da noite.

O relógio repete seu sermão,
tic-tac, tic-tac,
lembrando que o amanhã já chegou
e eu ainda não fechei as pálpebras.

Mas no breu nasce um clarão:
palavras que pedem corpo,
ideias que queimam feito brasas.
É nesse silêncio barulhento
que eu invento remédios sem bula:
versos, sonhos em vigília,
esperança que não aceita se calar.

Insônia não é derrota,
é trincheira.
Eu escrevo pra não me perder,
eu crio pra me curar.

E quando o sono finalmente me achar,
vai encontrar um coração cansado
mas inteiro,
que não deixou de lutar.
Edna Santana Dinha Inocente
Enviado por Edna Santana Dinha Inocente em 24/09/2025
Alterado em 24/09/2025
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