Noite sem trégua
A madrugada chega e, como sempre, não traz descanso. O corpo pede cama, mas a mente insiste em correr atrás de pensamentos que não têm linha de chegada. Cada lembrança, cada preocupação, cada detalhe pequeno vira um gigante diante do escuro.
Deitada, sinto que o silêncio da casa não me inclui. Os outros dormem, mas eu sigo desperta, quase exilada dentro do meu próprio quarto. O relógio brilha insistente, e cada minuto parece zombar da minha luta.
Mas aprendi a torcer o sentido da insônia. Se ela insiste em me roubar o sono, eu roubo dela um punhado de criação. Abro o caderno, deixo a caneta correr. No papel, derramo os medos, os desejos, a saudade, até a raiva que a vigília traz. E, de repente, descubro que o peso da noite se transforma em matéria viva.
A saúde mental ainda é batalha diária — não nego, nem romantizo. Mas escrever é a maneira que encontrei de lembrar a mim mesma que estou aqui, inteira, mesmo nas horas em que o mundo parece me virar as costas.
Quando o sono enfim chega, já é dia. Mas de alguma forma, não fui derrotada: volto da madrugada trazendo comigo uma pequena vitória — a certeza de que criar também é resistir.
Edna Santana Dinha Inocente
Enviado por Edna Santana Dinha Inocente em 24/09/2025
Alterado em 12/09/2026