Restos de Mar em Mim
Vieste como tempestade contida,
num sopro quente atrás da porta.
Meu corpo, feito enseada,
te recebeu sem resistência,
sabendo da maré que viria.
Teu toque era onda,
não pedia licença,
invadia.
E eu, cais esquecido,
me abri inteira pra tua chegada.
Fomos silêncio rasgado,
suor que escorreu feito vinho proibido,
mãos buscando mapas antigos
em geografias recém-descobertas.
Ainda tremo.
O sal do teu gesto
ainda escorre na curva da minha pele.
Me deixaste cheia de ausências,
mas transbordando de ti.
Volto só.
Com tua ausência colada aos meus poros.
O mundo não nos vê,
mas meu corpo ainda dança tua lembrança
como se teus dedos ainda estivessem aqui.
E escrevo.
Porque o papel não parte.
Porque aqui, entre versos e resquícios,
te tenho de novo,
mesmo que seja só por um sopro de metáfora.
Enviado por Edna Santana Dinha Inocente em 05/10/2025
Alterado em 11/10/2025