Silêncio de Mim (Aos meus 56 janeiros)
Há dias em que a sabedoria precisa ser guia,
porque o coração teimoso, velho conhecido
ainda tenta reacender o que o tempo já apagou.
Depois de cinquenta e seis anos de vida,
sei que amor não é sempre cura,
às vezes é ferida que ensina a cicatrizar.
Já acreditei no toque, no brilho dos olhos,
na promessa dita no escuro.
Hoje, busco o gesto calado,
a presença que não precisa se provar.
Os olhares ainda me atravessam,
mas já não me iludem.
Aprendi que corpo também se defende,
e alma, quando ferida, vira professora.
O tempo continua brincando comigo
mas agora rio de volta.
Se ele me traz solidão,
eu a transformo em companhia.
Faço café, escrevo versos,
danço com lembranças que já doeram.
Já me senti usada, sim,
mas aprendi a usar o que ficou:
a força, o faro, o perdão possível.
Caminho na madrugada,
olho as árvores, e penso:
quantas vezes renasci sem plateia?
Quantas vezes a vida me provou que
sentir ainda é um ato de coragem?
Sonho, sim e não tenho vergonha disso.
Sonho com um amor inteiro,
que me olhe com ternura e respeito,
que entenda minhas pausas e minhas pressas.
Não quero o prazer que acaba com o sol.
Quero o encontro que fica quando o dia amanhece.
O amor que não promete o sempre,
mas cumpre o agora com verdade.
Tenho cinquenta e seis anos e uma alma inquieta.
Já amei, já errei, já voltei a amar.
E sigo, de cabeça erguida,
com o coração aberto
porque ainda acredito
que o amor, quando é real,
é o único milagre que o tempo não envelhece.
Edna Santana Dinha Inocente
Enviado por Edna Santana Dinha Inocente em 11/10/2025
Alterado em 02/04/2026