Amor e Prazo
Foi um amor que deixou marcas,
dessas que o tempo não apaga,
só adormece.
Tinha cheiro de entrega,
pele de luxúria e alma de abrigo.
Entre beijos e confissões,
a gente se entendia no silêncio,
no riso depois do gozo,
no choro que vinha sem aviso.
Era um amor de corpo e de alma,
com pressa e ternura,
com erros que também eram ternos.
Nos deitávamos como quem reza,
e o mundo, por um instante,
parecia ter sentido.
Mas nada dura pra sempre —
nem o toque,
nem a febre,
nem o consolo.
Tudo na vida tem prazo,
e o nosso expirou devagar,
entre sonhos que se cansaram
e gestos que já não cabiam.
Ainda assim,
quando a lembrança vem,
ela não dói de todo.
É saudade, sim,
mas também gratidão
por ter vivido um amor
tão humano, tão cheio,
tão finito —
que por um tempo,
fez o infinito parecer possível.
Edna Santana Dinha Inocente
Enviado por Edna Santana Dinha Inocente em 11/10/2025
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